A gente aguardava com espectativa o final de semana ou um feriado para que pudéssemos voltar logo para o Zabelê. Era sempre assim, os estudos eram muito importantes para os estudantes que compreendiam o esforço dos pais que faziam de tudo para manté-los na escola da cidade. Haviam os carros do Senhorão, seu Leônidas e do Salú, que levavam e traziam o povo para São Raimundo Nonato, onde compravam e vendiam suas mercadorias,cidade quente com uma água salobra, era ali onde morávamos em um bairro chamado Paraíso das Aves. Haviam momentos difíceis financeiramente, mesmo assim a gente permanecia firme com a certeza de que um dia tudo mudaria. Hoje todos áqueles momentos são como bálsamo nas lembranças daqueles que viveram uma esperaça que o tempo não pode apagar.

Naquela noite a lua brilhava e a as estrelas ajudavam a iluminar o céu. A conversa variava de assunto em assunto, era um momento alegre e ao mesmo tempo carregado de um sentimento de saudade e incertezas, a alma parecia chorar por por dentro. Estava chegando a hora de dizer adeus. Aquela relva verde com cheiro de pureza era o palco das últimas lembranças. Longos abraços, tapinhas nas costas e pequenos sussurros de boa sorte. Rostos de amigos que jamais serão esquecidos. A madrugada escura me viu partir para nunca mais voltar e ver o meu lugar lindo e cheio de vida onde nasci. O tempo passou, mas parece que foi a noite passada. Restaram os sonhos e as lembranças da terra amada, como diria alguém, da terra encantada. ( Gilmar Miranda – ex morador do Zabelê )

Conclusão com pontos principais

O povoado do Antigo Zabelê nasceu de homens e mulheres corajosos e de um espírito explorador e ao mesmo tempo de pessoas que buscavam melhorar suas vidas financeiras sem no entanto afastarem-se de suas raízes. Viveram em uma região cheia de desafios, onde a luta e as dificuldades eram constantes. As lembranças tanto dos antigos moradores como das gerações futuras sempre vão estar vivas na mente e no coração de cada um. A lembrança de cada estrada, carreiro, casas, terreiros ( Onde nos juntavámos para fazer uma roda ” O Rolô ” ), as brincadeiras que iam até tarde da noite. Havia uma paz, uma serenidade e um encanto naquele lugar sem igual, onde morava nossos sonhos, objetivos e propósitos. As pessoas mais velhas eram tratadas com respeito, honra e com um estender de mão pedindo a benção.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *