A genealogia do Zabelê

Explore a História e Linhagens do Zabelê com Profundidade

O povoado Zabelê foi formado no final do século XIX e começo do século XX. OS primeiros habitantes eram familias de lavradores que cultivavam as terras e viviam da caça. Os irmãos João Bernardo, Antônio Maroto e Manoel Roberto que eram descendentes do velho Vitórino Dias Paes Landim, adentraram na mata com o propósito de encontrar maniçoba. A exploração da maniçoba exigiu mais terras para ampliação do cultivo, o que resultou na criação da comunidade Zabelê.

Uma típica casa do antigo Zabelê
Tanque grande

Três Irmãos Fundadores:

O trio que desbravou o antigo Zabelê era formado por João Bernardo, Antônio Maroto e Manuel Roberto. A Origem do Vínculo: Eles pertenciam às ramificações familiares dos filhos legítimos de Vitorino (que incluíam nomes como Bernardo Dias da Costa e Antônio Pedro Dias Braga), herdando os direitos de posse sobre as terras da primitiva Fazenda Serra Nova/Várzea Grande.

A Fundação do Povoado (Por volta de 1902): Movidos pela necessidade econômica e pela expansão do ciclo extrativista da maniçoba (usada para a produção de borracha), os três irmãos migraram do núcleo central da fazenda para áreas mais afastadas. Eles estabeleceram as primeiras roças camponesas na localidade que batizaram de Zabelê, nome dado em referência a uma ave típica da caatinga que foi abatida na região na época da chegada.

Os filhos de Bernardo Dias da Costa (que por sua vez era filho do patriarca colonial Vitorino Dias Paes Landim e de Ana Maria de Jesus) são figuras fundamentais para entender a ramificação que deu origem às comunidades camponesas da região, incluindo o antigo povoado de Zabelê.
De acordo com os inventários históricos e registros familiares da região de São Raimundo Nonato e Várzea Grande, os filhos de Bernardo Dias da Costa e seus descendentes diretos incluem:
1. João Bernardo da Costa (ou João Bernardo)
O filho que se tornou um dos personagens históricos mais lembrados da região. Movido pelo ciclo da maniçoba na virada do século XIX para o século XX, ele deixou o núcleo central da Fazenda Serra Nova para subir a chapada e, junto com seus irmãos de linhagem, tornou-se um dos três fundadores originais do antigo povoado de Zabelê.
2. Antônio Bernardo da Costa (Antônio Maroto)
Conhecido popularmente como Antônio Maroto, ele foi o segundo irmão da tríade fundadora do Zabelê. Atuou fortemente na abertura de picadas na caatinga selvagem e na exploração do látex da maniçoba, consolidando a posse tradicional de terras por direito de sangue.
3. Manuel Roberto da Costa (Manuel Roberto)
O terceiro irmão do trio de desbravadores da localidade. Assim como João e Antônio, ele manteve a tradição camponesa baseada na agricultura de subsistência e na pecuária de pequenos animais (como bodes e cabras) adaptados ao semiárido piauiense.
4. Outros Herdeiros e o Modelo de Sucessão
Além dos três irmãos que fundaram o Zabelê, Bernardo Dias da Costa deixou filhas e outros herdeiros cujos nomes muitas vezes aparecem de forma abreviada ou patronímica em antigos inventários cartoriais da região de São João do Piauí e São Raimundo Nonato.
Seguindo o padrão de sua época, essa descendência caracterizou-se por:
• Perda gradativa do sobrenome formal: Deixaram de assinar como “Paes Landim” e adotaram sobrenomes práticos como da Costa, Dias ou Silva.

Endogamia local: Casaram-se entre primos (como os descendentes de seus tios Manuel Francisco das Chagas e Antônio Pedro Dias Braga) para não fragmentar os direitos de posse sobre as terras herdadas do Velho Vitorino. Os descendentes diretos desses filhos de Bernardo constituem hoje a base histórica da população realocada no Novo Zabelê e no município de Coronel José Dias.

O processo de inventário aberto em 1876 — logo após o falecimento do patriarca colonial “Velho” Vitorino Dias Paes Landim (ocorrido em 1874) — teve Bernardo Dias da Costa como o inventariante oficial dos bens da família. Esse documento histórico revela que o patrimônio deixado não consistia em riquezas monetárias líquidas, mas sim em um vasto império territorial baseado na posse de terras e na criação extensiva de gado, que formou a base fundiária do sudeste do Piauí.

As primeiras famílias no Zabelê formaram-se a partir dos primeiros colonizadores que chegaram à região no final do século XIX. Esses pioneiros, em sua maioria agricultores, caçadores e extrativistas da maniçoba, estabeleceram-se em áreas férteis, criando as bases para o desenvolvimento local. A genealogia das famílias antigas do Zabelê tem suas raízes em poucos sobrenomes, a maioria descendentes dos irmãos João Bernardo, Antônio Maroto e Manoel Roberto que eram descendentes do velho Vitorino Dias Paes Landim, com o passar das gerações, multiplicaram seus descendentes por meio de casamentos e alianças, consolidando uma comunidade forte e unida.

Descubra a História do Zabelê

Nesta seção, apresentamos fotos únicas que revelam as raízes e tradições da genealogia do Zabelê.

‘As pastorinhas’
Sro. Clementino (in memoriam), Sra. Netila (In memoriam), Sra. Maria Gonçalves (In memoriam)
Maria das Virgens
Sra olindina Ana da Silva e Manoel Bernadino de Miranda (In memoriam)
Alunos da única escola do Zabelê

O processo de criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, oficializado em 5 de junho de 1979 pelo Decreto nº 83.548, representou um marco científico mundial, mas impôs um custo social altíssimo para os habitantes tradicionais da região. O antigo povoado de Zabelê — fundado pelos netos de Vitorino Dias Paes Landim — ficava exatamente no epicentro geográfico da área delimitada, tornando-se a comunidade mais impactada pelas desapropriações.
A expulsão e a desestruturação desse modo de vida ocorreram em etapas marcadas por conflitos:
1. A Filosofia Ambiental da Época e o “Cercamento” (1978–1979)
O planejamento da unidade de conservação foi gerido sob o modelo de “conservação de proteção integral”. Na visão das agências ambientais da ditadura militar (como o antigo IBDF) e das missões científicas da época, a presença humana — com a caça, a roça de subsistência e a criação de bodes — era vista como uma ameaça direta à preservação da fauna, da flora e das pinturas rupestres.
• Entre 1978 e 1979, equipes federais iniciaram o cercamento físico da área protegida.Para forçar a saída e evitar o retorno dos moradores, houve o desmonte de cercas históricas, muros de pedra e a demolição de casas rurais.
2. A Retirada Forçada e o Impacto Social
Ao todo, 251 famílias tradicionais foram removidas de suas terras ancestrais ao longo da consolidação do perímetro. Como a maioria dos moradores do Zabelê eram posseiros de boa-fé que ocupavam o chão por direito consanguíneo de herança (comum desde o inventário de 1876), o Estado não reconheceu plenamente os títulos de propriedade de muitos deles.
O “contrato tácito” que unia os camponeses ao território sagrado da caatinga foi rompido profundamente. Os moradores perderam o livre acesso aos “caldeirões” naturais de água e às áreas onde tradicionalmente plantavam e colhiam para sustento. O esvaziamento total do antigo povoado arrastou-se até sua completa desocupação no final da década de 1980.

Explore a História do Zabelê

Descubra detalhes sobre as origens, linhagens e conexões que formam a rica genealogia do Zabelê.

. A Criação do “Novo Zabelê” e a Dívida Histórica
Expulsas da serra, parte expressiva dessas famílias refugiou-se nos arredores urbanos de São Raimundo Nonato e de Várzea Grande (atual Coronel José Dias). Mais tarde, um assentamento foi organizado para abrigá-los: o Novo Zabelê.
• Indenizações não pagas: O processo gerou uma dívida histórica crônica. Pelo menos 124 famílias ainda lutam na Justiça por indenizações justas pelas benfeitorias e territórios perdidos há décadas.

Preservação da Memória:

Para mitigar o apagamento identitário sofrido pela comunidade, os próprios moradores e organizações como o Instituto Olho d’Água (IOd’A) inauguraram o Museu do Antigo Zabelê e o Centro de Memórias dos Povos da Serra da Capivara, que buscam salvaguardar os relatos orais, as ruínas da primeira escola e a genealogia dos fundadores pioneiros.

Linhagens e Heranças

Entenda as famílias e tradições que influenciaram o desenvolvimento do Zabelê.

Conexões Culturais

Aprofunde-se nas relações e influências culturais que enriquecem a história do Zabelê.

Histórias Autênticas da Genealogia do Zabelê

Descubra passo a passo a trajetória do Zabelê, revelando suas raízes, linhagens e conexões históricas profundas.

RUA VELHA E ZABELÊ
Emilia Godoy reconstituiu a memória do tempo da maniçoba – quando a família
Coelho, entre outras, se instalou nos arredores da Serra da Capivara – através
da tradição oral no povoado Zabelê, localizado onde é hoje o centro geográfico
do Parque. Houve três irmãos fundadores e algumas famílias que fundaram o
povoado. Eles habitavam até então as terras da primitiva fazenda Várzea Grande,
onde surgiram os povoados de Rua Velha – hoje o bairro São Pedro, de Coronel
José Dias – o Barreiro Grande e o Barreirinho, onde fica a Cerâmica, construida em um terreno doado pelo senhor Nivaldo. Quem foi morar no Zabelê eram “os mais fracos”, quer dizer, os mais pobres (Essa era a visão do senhor Nivaldo Coelho), impelidos a “subir a serra”, um dos limites da antiga fazenda. Isso foi em 1902.

Como a Genealogia do Zabelê Revela Suas Origens

Este estudo detalha a evolução das famílias do Zabelê, mostrando como suas histórias se entrelaçam e influenciam gerações futuras.

Preservando legado e identidade através das gerações.

Redescobrindo histórias com pesquisa genealógica precisa

Este estudo revela como a pesquisa genealógica aprofundada trouxe à luz conexões importantes e histórias familiares do Zabelê.

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O crescimento populacional era lento e por causa das secas que de tempos em tempos assolava a região , muitas dessas famílias começaram a se dispersar em busca de novas oportunidades. Nas décadas de 60 em diante, houve um movimento significativo de migração para outros estados brasileiros, como São Paulo, Pará, Brasilia, Paraná, Goiás e Miinas Gerais onde buscaram emprego nas indústrias e comércios em expansão. Essa dispersão contribuiu para que os descendentes das primeiras famílias do Zabelê mantivessem suas tradições culturais, mesmo vivendo longe de sua terra natal.

Atualmente, as gerações presentes das famílias originárias do Zabelê estão espalhadas por todo o Brasil, mantendo viva a história e os valores transmitidos pelos antepassados. Muitos de tempos em tempos voltam para fortalecer os laços familiares e preservar a memória das origens, demonstrando o orgulho de suas raízes e a continuidade de uma história construída com dedicação e coragem ao longo dos tempos.